Evento do TCE-PR reúne, nesta segunda, especialistas, gestores e órgãos de controle para discutir a aplicação da metodologia nas contratações públicas. Cartilha da Corte sobre o tema foi lançada
O avanço nas contratações públicas da metodologia BIM – sigla em inglês para building information modeling, ou “modelagem de informação na construção”, numa tradução livre – é o tema da nova edição do Fórum de Obras Públicas que está sendo realizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná nesta segunda-feira (19 de outubro).
O evento reúne no auditório do TCE-PR, em Curitiba, representantes de órgãos de controle e do Poder Judiciário, gestores públicos, engenheiros e arquitetos para discutir como a tecnologia pode contribuir para melhorar o planejamento, reduzir falhas e aumentar a eficiência na execução de obras públicas.
Além das exposições e debates, o encontro contou, na manhã desta segunda, com o lançamento da cartilha BIM nas Contratações Públicas, elaborada pela Coordenadoria de Obras Públicas (COP) do Tribunal com o objetivo de orientar gestores e servidores sobre a utilização da metodologia no planejamento de licitações e em suas contratações de obras civis. O evento, organizado pela Escola de Gestão Pública (EGP) da Corte, é transmitido ao vivo pelo canal da instituição no Youtube.
BIM
A adoção da metodologia BIM tem revolucionado a forma como projetos e obras são desenvolvidos, desde o projeto, passando pela execução, o ciclo de vida da construção e suas futuras manutenções, tanto na iniciativa privada quanto no setor público. A metodologia, que substituiu a prancheta de régua paralela e softwares como o Autocad, utiliza modelos digitais inteligentes que reúnem informações sobre estrutura, instalações, cronograma e custos das obras civis em um único ambiente virtual.
Entre os principais benefícios da utilização do BIM estão a redução de erros, a melhoria do planejamento e o controle mais eficiente de prazos e orçamentos das obras públicas. Além disso, o BIM permite identificar conflitos entre projetos antes do início da obra, evitando retrabalho e desperdícios.
Abertura
Participaram da mesa de abertura do fórum o presidente do TCE-PR, conselheiro Ivens Linhares; o coordenador-geral de Fiscalização do Tribunal, Rafael Ayres; o diretor de Comunicação do Instituto Brasileiro de Obras Públicas (Ibraop) e auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP), Fernando Morini; a diretora do Departamento de Inovação da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística do Paraná (Seil-PR), Lorreine Vaccari; e o coordenador de Obras Públicas do TCE-PR, Paulo Daschevi.
Ao abrir o evento, o presidente do TCE-PR destacou a relevância do BIM para o aprimoramento da gestão pública e afirmou que a tecnologia representa um novo patamar de segurança e planejamento das obras. O presidente também ressaltou a importância da cooperação entre os Tribunais de Contas e outras instituições para impulsionar a inovação no setor.
Na sequência, Paulo Daschevi enfatizou que a administração pública enfrenta desafios para os quais não existem respostas prontas. Segundo ele, o conhecimento compartilhado é uma ferramenta fundamental para qualificar decisões e reduzir incertezas. O coordenador ressaltou que a troca de experiências entre diferentes órgãos e esferas da administração contribui para a elaboração de melhores projetos e, consequentemente, de obras mais eficientes.
Lorreine Vaccari, ao se dirigir aos presentes, destacou que a implementação de inovações depende de três pilares: planejamento, conhecimento e parceria. Ela lembrou que a disseminação do BIM no Paraná é resultado de uma construção conjunta entre diversas instituições e reforçou a importância da colaboração para consolidar novas práticas na gestão pública.
Já Fernando Morini chamou a atenção para o papel da alta administração no incentivo à inovação. Segundo ele, o apoio das lideranças é essencial para que processos de modernização avancem nas organizações públicas. O auditor também destacou a presença de jovens profissionais no evento e fez uma reflexão sobre a velocidade da transformação tecnológica no setor da construção civil, citando experiências internacionais que utilizam processos cada vez mais automatizados.
Ao encerrar as manifestações da mesa de abertura, Rafael Ayres compartilhou uma experiência pessoal para ilustrar os problemas recorrentes enfrentados em obras mal planejadas. Ele relatou os desafios vividos durante a construção de sua residência e associou essas dificuldades às fragilidades observadas em empreendimentos públicos que enfrentam alterações de projeto, aditivos contratuais e atrasos.
Para o coordenador-geral de Fiscalização do TCE-PR, o BIM tem potencial para transformar essa realidade ao permitir maior integração entre projetos, antecipação de problemas e melhor planejamento das intervenções. Ayres reforçou ainda a importância do apoio institucional para ampliar a adoção da metodologia nos órgãos públicos.
Exposições e debates
Ao longo de toda esta segunda-feira (dia 19), são promovidos, no Fórum de Obras Públicas, debates com a exposição de experiências práticas, desafios e perspectivas para a implementação do BIM no setor público.
Pela manhã, o coordenador da COP do TCE-PR, Paulo Daschevi, e a servidora Camila Maria Borges Friedrich, da mesma unidade, deram início aos trabalhos técnicos narrando os passos adotados pela Corte para adaptar seus critérios de auditoria à nova metodologia.
Lorreine Vaccari, por sua vez, falou sobre a aplicação da metodologia – e os avanços trazidos por ela – no âmbito do Estado do Paraná. Finalmente, Andressa Lisboa Saraiva, servidora do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), com sede em Porto Alegre (RS) e jurisdição sobre os três estados da Região Sul, discorreu sobre os critérios para a seleção de empreiteiras, a avaliação de propostas em contratações públicas e as exigências de utilização do BIM pelas contratadas.
No período da tarde, Vanessa Silva Ribeiro, da Prefeitura de Belo Horizonte (MG); Fernando Morini, do TCM-SP; Jadson Damasceno Rabelo, da Prefeitura de São José dos Campos (SP); e Maria Isabel Pedrosa Custódio, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ); apresentam experiências e boas práticas em relação à aplicação do BIM em seus respectivos órgãos públicos.